segunda-feira, 3 de novembro de 2008

OFICINA PARA SURDOS NO SESC DE JOÃO PESSOA

O Sesc Paraíba convidou o FotoLibras para ministrar uma oficina de fotografia no Festival Jampa Vídeo 2008. Os multiplicadores André Luiz, Tatiana Martins e Gutemberg Laurindo chegaram a João Pessoa na terça-feira (14) à noite. Ficamos hospedados em um hotel de frente à praia de Cabo Branco. Após nos estabelecermos, fizemos um passeio pela cidade.
Eu gostei muito de ter sido convidado pelo SESC Paraíba para ministrar essa oficina de fotografia com surdos no Festival. 18 surdos participaram da oficina. Como os agentes multipĺicadores também são surdos, a comunicação foi natural, o que foi ótimo. Os alunos também tiveram uma aula prática, na qual fotografaram a lagoa e o parque, mostraram a capacidade que existe em cada um deles. No final, os surdos avaliaram a oficina positivamente, afirmaram ter gostado da experiência com a fotografia.

No primeiro dia, os multiplicadores apresentaram o curso e o projeto FotoLibras. Explicaram quem eram e o que ia ser feito na oficina. Também contaram como estavam se sentindo – ministrar aquela oficina era um sonho que estava sendo realizado. Os sinais do FotoLibras foram apresentados (“Ângulos da Luz”) e os multiplicadores contaram sobre a experiência do curso feito em 2007, sobre o guia FotoLibras e sobre impacto causado pelo projeto e a visibilidade que ele trouxe para a comunidade surda. Ainda no primeiro dia, foi realizada uma dinâmica para despertar os alunos. Muitos deles nunca tinham participado de uma dinâmica antes e nem sabiam o que era. No entanto, eles gostaram da experiência. No final, os multipĺicadores explicaram como uma foto pode expressar sentimentos e repassaram aos alunos os conceitos de composição, enquadramento e luz. Também projetaram fotos com um datashow.
No segundo dia, outro dinâmica foi realizada, seguida pela projeção das fotos tiradas pelos multiplicadores do projeto. Os alunos aprenderam a usar uma câmera fotográfica e a regular as câmeras de acordo com as condições de luz. Multiplicadores e alunos fizeram um passeio fotógrafico pelo centro da cidade, perto de um parque e de uma lagoa.
No terceiro e último dia, foram analisadas as fotos tiradas. Cada multiplicador ficou responsável por um grupo de seis pessoas. Foram discutidos o enquadramento, a luz, a composição. Os surdos aprenderam de forma satisfatória o básico da fotografia. Repetimos a dinâmica do primeiro dia e depois explicamos o que é a caixa mágica e como confeccioná-la. Enquanto Tatiana mostrou aos alunos como fazer a caixa, eu supervisionei o trabalho e ajudei aqueles que apresentavam dificuldades. Enquanto isso, Gutemberg tirou fotos. Depois, na frente do Sesc, os alunos olharam através da caixa mágica e falaram sobre como se sentiam. Os surdos ficaram surpresos com o resultado, sobretudo porque viram uma imagem invertida. A experiência foi muito positiva, pois nenhum deles havia utilizado uma caixa mágica antes. Depois da caixa mágica, o varal de fotos dos alunos foi montado com a ajuda de quatro alunos surdos. O varal foi exposto na frente do Sesc, o que deu visibilidade ao trabalho feito com a comunidade surda.

André Luiz – multiplicador surdo

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