Surdos aprendem a utilizar a câmera
A duração do curso, de seis meses, é pensada para de fato capacitar os alunos nessa atividade
Uma iniciativa inédita no Estado vai capacitar adolescentes e jovens surdos na arte da fotografia: de hoje até julho, os fotógrafos Vládia Lima, Eduardo Queiroga e Matheus Sá ministram aulas dentro do projeto FotoLIBRAS, que traz o conceito da fotografia participativa, ferramenta de inclusão utilizada por organizações e entidades em todo o mundo. As aulas, que serão realizadas na escola Rochael de Medeiros (Centro) e ainda ao ar livre, têm apoio Federação de Educação e Integração de Surdos (Feneis) Agência de Fotografia Lumiar, Canal 03, Serviço Internacional Brasil e a organização britânica PhotoVoice. A Sociedade Internacional de Crianças Surdas é outra apoiadora. Raquel Ellis, representante da International Service (IS), que trabalha com crianças de todo o mundo, é a coordenadora do projeto.
Segundo Eduardo Queiroga, as aulas serão divididas em dois módulos: no primeiro, mais técnico, ensinamentos básicos e noções iniciais de fotografia. No segundo, a produção dos alunos será focada. “A fotografia é um meio de expressão, a forma como eles também podem falar”, comenta Queiroga, lembrando que poucas escolas do País estão preparadas para atender o aluno com deficiência auditiva. A duração do curso, de seis meses, é um dos grandes ganhos apontados pelo profissional. “Não se trata de uma oficina de poucos dias, são aulas que de fato capacitam os alunos.”
Todos os estudantes terão acesso a uma câmera simples, utilizando filmes. Equipamentos mais sofisticados, digitais, também serão disponibilizados. Nesse caso, os alunos se revezarão no uso. Até agora 80% dos recursos para a realização do curso estão garantidos. “As revelações, por exemplo, serão bancadas por nós mesmos”, comenta Queiroga, ainda em busca de outros apoios para fechar a empreitada.
No final do curso de fotografia participativa, os alunos realizam uma exposição com o trabalho produzido. Está previsto ainda um vídeo-documentário sobre a ação, além de um livro que será comercializado. Informações: 3244-6391 ou 3243-2381.
Fonte: Jornal do Commercio (05.02.2007)
Diferentes formas de enxergar o mundo
Curso direcionado a surdos-mudos de Pernambuco reafirma o alto potencial expressivo da linguagem fotográfica
Júlio Cavani
DA EQUIPE DO DIARIO
Quem não pode ouvir e nem falar tem apenas a visão e o próprio corpo como instrumento de comunicação. Para os surdos-mudos, portanto, a fotografia, como uma linguagem essencialmente visual, seria uma ferramenta de alto potencial expressivo. Essa possibilidade, ainda pouco explorada, é posta em prática no curso ministrado pelos fotógrafos Mateus Sá, Vládia Lima e Eduardo Queiroga.
"O olhar deles é diferenciado. Eles têm outra relação com a imagem, com mais atenção a estímulos visuais", observa Eduardo Queiroga, que junto com a equipe e os alunos, está tentando desenvolver um vocabulário técnico de fotografia em Libras, que não existia até então. "É um glossário, uma coisa que vai ficar. Não fazia parte do projeto inicial e se tornou um desdobramento."
O curso começou há um mês, com inscrições esgotadas. Eles ainda não começaram a fotografar, mas já fizeram experiências com câmeras artesanais feitas em caixas e latas com furos (técnica pinhole) para entenderem como a imagem se forma a partir da impressão daluz. O grupo também vai visitar exposições fotográficas e laboratórios de revelação e estudar a história da fotografia.
Com ajuda de um intérprete, a estudante Edivirgem Priscilla, de 16 anos, diz à reportagem do Diario que quer ser um agente multiplicador e passar adiante os conhecimentos adquiridos na oficina. Para ela, a fotografia é tão importante para os que ouvem quanto para os que não ouvem, mas que se sente um pouco diferente porque precisa mais da visão para entender as coisas.
Há alunos que se locomovem de ônibus do Cabo de Santo Agostinho e de Itamaracá para assistir às aulas. Robson Luís, que também é surdo-mudo e coordena o setor de cultura da Feneis junto com Hélio Mariano (também aluno), acredita que a fotografia pode ajudá-los a contar sua própria história e registrar seu cotidiano, citando as igrejas e o Shoppingg Boa Vista como pontos de encontro dos jovens de sua comunidade. Ele também diz que os surdos podem passar a tirar fotos dos sinais e depois reproduzir e repassar o que lêem com melhor fidelidade técnica. Cibele Raissa Rocha, de 17 anos, que vai fazer vestibular para direito, entende a fotografia tanto como uma arte quanto como uma técnica. Ela valoriza as possibilidades da linguagem fotográfica como recurso de memória.
"Quando começarem a fotografar, o trabalho deles pode revelar um novo universo e uma nova forma de, literalmente, enxergar o mundo", acredita Mateus Sá, que identifica um processo de inclusão social no projeto. "A fotografia pode proporcionar mais uma forma de expressão, além de estimular a criatividade e a autoestima. As pessoas vão entender melhor que eles são iguais a todos. Se comunicam de forma diferente, mas a essência é a mesma. Quanto mais respeitados, mais acesso às coisas vão ter. Ainda existe muito preconceito. São surdos, mas parece que a sociedade é que é".
A oficina, chamada Fotolibras, tem participação da Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos do Recife (Feneis), com apoio das agências Lumiar e Canal 03 e das instituições Photo Voice e Deaf Children Society. As aulas acontecem na Escola Estadual Rochael de Medeiros, na Boa Vista. A duração do curso é de seis meses, com módulos teóricos e práticos. Os professores se comunicam com ajuda dos intérpretes Emanuel Carlos e Creuza Santana, especializados na Linguagem Brasileira dos Sinais (Libras). A coordenação geral é da cientista política inglesa Rachel Ellis, que mora no Recife.
Fonte: Diario de Pernambuco (25.02.2007)
sexta-feira, 22 de junho de 2007
Curso do Fotolibras ganha destaque na mídia
Publicado por
Site Fotolibras
às
13:15
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